Coordenadora do GuBrO SP destaca papel feminino em debate durante o fisl11
Cerca de 200 pessoas assistiram ao debate sobre mulheres e software livre no fisl11. Entre as participantes da mesa, esteve presente a coordenadora do Grupo de Usuários BrOffice.org de São Paulo. Vera Cavalcante destacou o aspecto colaborativo na construção do software livre, o que vai além do desenvolvimento de código. A atividade foi organizada pelo Grupo de Trabalho Feminino Livre, do qual participam várias integrantes da comunidade BrOffice.org.
Entre as debatedoras, a professora Clarisse Abrahão fez um panorama sobre o papel da mulher na área de educação, espaço ocupado predominantemente por mulheres. Mas quando se trata de tecnologia, a situação não é muito animadora: “Professora chama homem até para ligar o DVD”, lamenta. Na opinião dela, isso se deve a uma questão cultural. “Desde a infância, as meninas são criadas para brincar com bonecas”, diz.
A administradora de sistemas Fernanda Weiden iniciou sua carreira na informática em 2001, numa área eminentemente masculina. Talvez por isso, foi surgindo uma grande insegurança: “Eu não sabia se eu realmente sabia fazer aquilo a que eu tava me propondo. É um sentimento que ainda tenho, mas eu controlo”, diz.
Quando fez a sua prova de certificação, era a única mulher. Nos empregos, nas palestras também era a mesma coisa. Mas isso pode ter um lado bom: “Pelo fato de ser mulher e trabalhar com tecnologia, automaticamente somos consideradas experts”. Fernanda apresentou uma palestra e foi convidada pelo Google para realizar uma entrevista de emprego na Suíça. Foi contratada. Hoje em dia é gerente de uma equipe de engenharia da empresa. Dos cerca de 600 engenheiros, ela é a única mulher.
A superintendente de Inovação Tecnológica da Caixa Econômica Federal, Cleusa Takakura, além de dar o ponto de vista feminino, falou sobre a história da implantação de software livre na entidade. “Foi m dificuldade grande, mas as batalhas foram vencidas”, diz. Cleusa fez questão de estudar a fundo várias ferramentas livres antes de iniciar o planejamento. “A gente tem que ser expert, não pode parecer”, afirma. Mas as dificuldades encontradas estavam longe das dificuldades técnicas: “Sempre tem alguém questionando e quando a gente é mulher questionam mais, para ver se vamos desistir mais rápido. Chorei muitas vezes sozinha”, conta. Cleusa sabia o que os colegas pensavam sobre ela: “além de estar inventando, está endoidando”.
Mas ela venceu. “Com braço de ferro, a gente segura. Com braço de mulher, a gente mantém o que faz” é frase que ela usa para falar da experiência dolorosa, mas de sucesso. Cleusa se diz extremamente feliz por estar no fisl11 compartilhando as suas experiências. Para ela, trata-se de uma forma de a entidade contribuir para a construção da confiança sobre o software livre, já que, ao mostrar que funciona no ambiente corporativo, outras empresas passam a se interessar.
Finalizando, a coordenadora do Grupo de Usuários BrOffice.org de São Paulo, Vera Cavalcante, faz uma analogia entre a filosofia do software livre e a personalidade feminina: “Colaboração é uma coisa bastante instintiva da mulher”. Segundo conta, quando participa de eventos, apresenta projetos, treinamentos etc sempre busca um jeito feminino de convencer as pessoas sobre o uso do software livre.
O compartilhamento e a colaboração são outros aspectos importantes, conforme destaca: “Acho que a mulher consegue fazer isso melhor pelo seu instinto feminino”, diz. Vera, que trabalha na área administrativa do Serviço Federal de Processamento de Dados - Serpro, lembra que não é necessário ser da informática para contribuir com software livre.
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