O governo e o BrOffice.org


Presidente Lula, Sady Jacques - ASL (centro) e Gustavo Pacheco - BrOffice.org/ASL (direita). Audiência da organização do fisl9.0 no dia 2 de abril de 2008.


Desde o seu amadurecimento como alternativa de informatização, o BrOffice.org, bem como o Software Livre em geral, vem sendo utilizado nos mais diversos ramos econômicos. O atrativo inicial de uma ferramenta sem custo, aos poucos, é percebido pelos gestores de tecnologia como apenas mais uma das vantagens que o pacote de aplicativos apresenta e, passado o período de migração, a continuidade de uso normaliza as atividades do ambiente do usuário e permite investimentos mais inteligentes que o licenciamento de software, como investimentos em capacitação e infra-estrutura, por exemplo.

Tem sido assim nas esferas de governo. O Software Livre avança em todos os níveis e poderes como uma prática aderente aos princípios de legalidade, publicidade, eficiência e moralidade. Independentemente de lideranças e partidos políticos, o discurso e a prática em favor do Software Livre aproximam governos ideologicamente tão equidistantes como os do PT e do DEM, com diversos exemplos de sucesso de uso do Software Livre.

Obviamente, o governo, em especial o poder executivo, é o primeiro a demonstrar explicitamente sua predileção pelo Software Livre nos seus projetos de tecnologia. A economia de recursos destinados ao licenciamento de software, muito antes do viés ideológico, é o mote principal da maioria dos projetos de migração e implantação que, muitas vezes, são realizados sob a pressão da burocracia da máquina pública. É certo, também, que diversos projetos de Software Livre dos governos transcendem o caráter meramente economico e são de importância estratégica. Os projetos de inclusão digital e de softwares públicos, por exemplo, prometem uma política pública de estado e não de governo para o Software Livre. Tornar pública essas ações permite o entendimento, pelo eleitor, de que determinado governo tem tratado com seriedade os cofres públicos na área de tecnologia.

Menos alardeada, mas não menos importante é a evolução do Software Livre no poder judiciário. É uma evolução constante, baseada em padrões e quesitos técnicos duradouros e que está atingindo a justiça brasileira em todos os níveis. Tanto num poder quanto no outro, o BrOffice.org tem sido o software de maior impacto tecnológico e estratégico, seja pela sua grande amplitude em número de usuários seja pela economia proporcional gerada.

Cabe observar, no entanto, que esse movimento não é só na esfera pública. A iniciativa privada vem promovendo uma verdadeira revolução silenciosa. Isso não é alardeado por empresas ou gestores de TI. Na empresa privada, o uso do Software Livre ainda é considerado um diferencial competitivo e, por isso, não deve ser utilizado como meio de relacionamento com o mercado e o consumidor. É uma realidade diferente daquela de quem presta contas ao eleitor, embora as motivações para o uso sejam praticamente as mesmas.

Até o final do ano, com a versão 3.0 do BrOffice.org, avançaremos muito mais. Chegamos a um momento onde temos a percepção de que o uso do BrOffice.org em grande escala está consolidado. Agora, caberá a todos os atores do mercado (projeto, governos, empresas, terceiro setor, usuários, etc...) darem o grande passo para a sustentabilidade do ecossistema. Temos a necessidade de aumentar as contribuições colaborativas dos grandes usuários e dar a sustentabilidade econômica para o desenvolvimento do BrOffice.org no Brasil, melhorando, inclusive, a imagem de país apenas consumidor que temos no exterior. Já avançamos para além do voluntarismo, sem perdermos nossa essência colaborativa. Agora, é hora de aumentarmos a sustentabilidade do nosso modelo de desenvolvimento de software para ganharmos todos.

Back to top